Orizicultores exigem <br>a intervenção do Governo
Depois de uma delegação da Associação Portuguesa dos Orizicultores (APOR) ter sido recebida, em Julho, na Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia da República, onde foi entregue aos deputados dos diversos partidos um documento com as principais reclamações dos orizicultores, «tudo continua na mesma». A associação solicitou, por isso, uma reunião com carácter de urgência ao ministro da Agricultura.
Em nota de imprensa divulgada no dia 20, a APOR começa por lembrar que «os industriais vão pagar o arroz da colheita deste ano ao mesmo preço da colheita passada», variando entre os 26 e os 28 cêntimos/kg, ou seja, valores inferiores aos custos de produção da cultura.
Para a associação, o preço justo à produção deve ser de 40 cêntimos/kg, uma vez que os custos de produção são na ordem dos dois mil euros/hectare. No Baixo-Mondego, com o arroz a ser vendido a 30 cêntimos/kg, os produtores têm um rendimento de 1800 euros/hectare, ou seja, um prejuízo de 200 euros por cada hectare.
Simultaneamente, a APOR dá ainda conta de «importações de arroz estrangeiro», a exemplo do que aconteceu no ano passado. «Entre Novembro de 2015 e Fevereiro de 2016 foram importados pelos industriais milhares e milhares de toneladas de arroz sem necessidade», advertem os orizicultores, exigindo que o Governo português, a exemplo dos seus congéneres espanhol e francês, crie «mecanismos de fiscalização ao arroz importado, para que a produção nacional seja escoada a um preço justo».
A associação, com sede em Coimbra, reclama, por outro lado, o desbloqueamento de uma verba para finalização das obras hidroagrícolas do Baixo-Mondego e que o emparcelamento agrícola seja considerado para todos os vales onde ainda não foi feito, nomeadamente no Vale do Pranto, Arunca e Ega, onde existem cerca de dois mil produtores e quatro mil hectares.
Os orizicultores dizem desconhecer se houve ou não alterações em relação à «anunciada exclusão» do Baixo Mondego das candidaturas a fundos comunitários para intervenções a nível da desobstrução e regularização fluvial e controlo de inundações, e pretendem ser esclarecidos sobre o assunto.